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quarta-feira, 11 de maio de 2016

A prática de exercícios para a busca de bem-estar e saúde


Há alguns anos, coloquei como prioridade na minha vida o tempo para exercícios físicos, pois muitas pesquisam mostram que ser sedentário é ruim para nossa saúde! E mexer o corpo traz muitos benefícios, entre eles a saúde cardiovascular.

Tenho procurado ler com mais frequência sobre o benefício da atividade física pra quem tem câncer e está ou não em tratamento.

Mas no campo do paciente com câncer, esse é um tema ainda em desenvolvimento. E hoje, pude conhecer um pouco do trabalho e aprender sobre o assunto com o Dr Jones, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova Iorque. Ele participou de um seminário transmitido pela internet chamado "A Field in Motion: Fighting Cancer with Exercise"  (Um área em movimento: lutando contra o câncer com exercício), bem interessante! Segue o link pra quem se interessar pelo tema: https://www.mskcc.org/community-affairs/programs-services/cancersmart/cancersmart-live-webcast-exercise (video em inglês).

Alguns pontos que me chamaram atenção:

- Escute seu corpo e se mantenha ativo! O corpo não foi feito para ficar parado! Nosso corpo foi feito para movimentar-se!

- Não há estudos comprovando que exercícios previnem ou trazem cura para o câncer, mas pessoas que se exercitam podem reduzir chances de ter câncer ou da doença recorrer em até 20-40% (estudos observacionais, ou seja, precisam-de estudos mais bem desenhados e válidos para comprovação disso).

- Atividades físicas por 150 minutos por semana para que tem câncer de mama e 300 minutos por semana para quem tem câncer colorretal podem reduzir recorrência de câncer (30min 5 x p sem ou 60min 5 x p sem).

- Ele comentou também um estudo em ratos em que o grupo que se exercitou e fez quimio teve melhor resposta ao tratamento do que o grupo que apenas fez quimio (a próxima fase será estudar isso em humanos).

- Alterne exercícios de alta intensidade com outros de intensidade leve ou moderada.

- Exercícios reduzem a fadiga durante a quimio! Olha que interessante! Menos remédios para fadiga e mais exercícios!

- Exercícios durante a quimio podem ajudar o coração a se recuperar melhor dos efeitos do tratamento (a quimio envelhece nosso corpo em até 10 anos! caramba!).

- Exercício demais faz mal! Pode reduzir a imunidade! Máximo de 300 min por semana.

- Respeite seu corpo e escute suas necessidades. Se não estiver bem para fazer atividade física, descanse. Quando se sentir melhor, comece com exercícios leves, 3 x por semana, e vá aumentando a intensidade.

- Consulte sempre seu médico para saber o que pode fazer de atividade física. Dependendo do estágio da doença, exercícios podem trazer prejuízos, como em pacientes com muitas metástases ósseas.

Legal, né? Então vamos praticar mais atividades físicas! Para bem-estar e saúde!

domingo, 25 de outubro de 2015

Seria possível reduzir a queda de cabelos e não precisar de peruca durante a quimioterapia?



Umas das primeiras coisas que vêm à cabeça quando se fala em fazer quimioterapia é: Meus cabelos vão cair? Vou ficar careca? Vou precisar usar peruca? 

A ideia de perder todo o cabelo traz muita angústia para mulheres e homens candidatos à quimio. Alguns pacientes recusam esse tratamento por não quererem ficar carecas. Perder o cabelo com o tratamento é perder a privacidade da própria doença. É deixar a olhos vistos, literalmente, que está passando por um câncer. Ah, mas por que todos ao redor precisam saber, né? Vem o preconceito, a queda da autoestima, a interferência na sexualidade e na vida social. 

Desde que se perceberam os prejuízos da queda de cabelos à saúde global do paciente, busca-se maneiras de evitá-la. Cientistas de diversas partes do mundo estudam a ação dos quimioterápicos nos folículos de pelos, testam medicamentos para prevenir a queda, ou para acelerar o crescimento de cabelos. O resfriamento do couro cabeludo durante a quimioterapia (scalp cooling ou scalp hypothermia) é a opção com melhores resultados até então. E o bom resultado que se deseja é que o paciente não precise usar peruca ou esconder a falta de cabelos com lenços, com a prevenção da queda total de cabelos ou de mais de 50% de queda.



A ideia de usar essa técnica para prevenir a queda de cabelos durante a
quimioterapia data da década de 70! No começo, pacotes com gelo eram aplicados no couro cabeludo dos pacientes. Ao ver as fotos dá vontade de rir da parafernália e de imaginar aquilo derretendo e molhando tudo! Mas o procedimento foi sendo aperfeiçoado e hoje estão disponíveis toucas de criogel e modernas máquinas de resfriamento.


Com o resfriamento do couro cabeludo a baixas temperaturas, iniciando-se um pouco antes, mantendo-se durante e por algum tempo após o término da quimioterapia, uma menor quantidade de medicamento atinge os folículos dos pelos por conta da vasoconstrição, da redução do metabolismo celular e da entrada do medicamento nas células. Assim, causa-se menos dano ao fio e o protege da queda.


Os resultados são variáveis, a depender do esquema quimioterápico usado e da resposta individual de cada paciente. Para alguns medicamentos, como os taxanos, mais da metade dos pacientes que resfriam o couro cabeludo junto com sua aplicação podem ter preservação de mais de 50% dos cabelos e não precisar de peruca. Mas para outros tratamentos, os resultados são baixos e o paciente fica careca. Numa recente revisão de diversos trabalhos, o resfriamento do couro cabeludo reduziu significantemente o risco de alopecia induzida pela quimioterapia (RR=0,38. Shin H, Jo SJ, Kim DH et al. Efficacy of interventions for prevention of chemotherapy-induced alopecia: A systematic review and meta-analysis. Int J Cancer. 2015; 136 (5): E442-54.)

Importante notar que não é um tratamento indicado para qualquer tipo de câncer. Consulte seu oncologista para saber indicações, contraindicações e riscos do uso do resfriamento do couro cabeludo durante a quimioterapia. 

E a luta para melhorar a qualidade de vida do doente com câncer segue! 





quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Dicas para delinear sobrancelhas com poucos pelos ou sem pelos!



Closeup of a young beautiful woman.



Há pessoas que possuem a sobrancelha menos preenchida por pelos e há aquelas que perderam os pelos por conta de tratamentos, como a quimioterapia.

Essa dica ajuda bastante a fazer uma nova sobrancelha nesses casos!

Façam 3 pontos seguindo as três retas indicadas na foto e depois é só ligá-los com um pincel e sombra marrom, ou um lápis marrom! Demais!

Já ensinei essa técnica para várias pacientes minhas que estavam fazendo quimio e que não sabiam fazer um traçado de sobrancelha... Elas adoraram!


Durante a quimioterapia, a micropigmentação por tatutagem não é indicada. Depois, assim que tiver recuperado a imunidade, ok. Para isso é preciso escolher um bom profissional, que use material estéril e que sejam afastadas possíveis alergias aos componentes da tinta que será utilizada.


Uma outra opção é usar sobrancelhas falsas. Uma paciente veio à consulta com uma e achei incrível. Bem natural.

Existe a possibilidade de usar alguns produtos manipulados para estimular o crescimento de pelos da sobrancelha, mas com limitados estudos científicos. Pergunte ao seu dermatologista!









domingo, 30 de novembro de 2014

Por onde andei: Memorial Sloan Kettering Cancer Center




Olá, queridos!

Estou voltando!

Após 1 mês em Nova Iorque, é hora de voltar para casa... Mais do que na hora! Esse frio não me pertence! :)

Vim aqui para aprender com o Dr Lacouture como ele trata as reações na pele, nos cabelos e nas unhas do paciente em quimioterapia e radioterapia. Ele é um renomado dermatologista e um dos maiores estudiosos do assunto aqui nos Estados Unidos (e no mundo!). Trabalha no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, importante centro de Oncologia e pesquisa nos EUA, onde tive o prazer de estudar nesse mês.


No nosso Brasil, essa é uma área que está em desenvolvimento. A participação do Dermatologista nos cuidados do paciente com câncer em tratamento ou mesmo após seu término é fundamental, mas poucos são os centros que tem um especialista na pele como integrante da equipe multidisciplinar que cuida do paciente com câncer. 

Isso precisa ser mudado! Sim, quem está enfrentando a luta contra o câncer tem meios de melhorar os efeitos adversos do tratamento na pele e melhorar sua qualidade de vida e sua autoestima! 

O Dr Lacouture é muito preocupado com o cuidado da pele do paciente com câncer. Ele escreveu um livro-guia muito bom com dicas e orientações sobre esse tema. Cobrei dele a tradução para o Português e até brinquei que se ele não o fizesse, eu o faria! :)

Acompanhando seu dia a dia no consultório, pude aprender que existe tratamento para diminuir a inflamação da pele durante a radioterapia, há tratamentos para ajudar o crescimento dos cabelos após o término da quimioterapia, e que algumas vezes a inflamação na pele e nas unhas pode ocorrer por bactérias que necessitam de um antibiótico específico. 

Existem muitos desafios pela frente, como estudar um meio de prevenir a queda de cabelos durante a quimioterapia e reduzir a ocorrência de inflamação e descolamento nas unhas com o uso de determinados quimioterápicos, entre outros. 


E me sinto instigada por esses desafios! Eles serão minha motivação maior de trabalho e pesquisa nos próximos anos. 

Vamos cuidar cada vez melhor da pele dos pacientes em tratamento e dos "cancer survivors"!

domingo, 4 de maio de 2014

O que aprendi no Hospital da Escola de Medicina de Yale


Olá, queridos pacientes!

Estou de volta! Até que enfim, né?! 

O mês de Abril no Hospital da Escola de Medicina de Yale foi bem interessante! Voltei a ser estudante! :)

Fui muito bem recebida pela equipe da Dermatologia de lá. Tive contato com  grandes nomes da Dermatologia americana, como a Dra Jean Bolognia - autora de um dos livros mais importantes na nossa área, o Dr Richard Edelson e o Dr Michael Girardi - pesquisadores importantes na área de linfomas cutâneos, e a Dra Jennifer Choi - a qual tive o prazer de acompanhar e aprender mais sobre câncer de pele e as reações dos quimioterápicos na pele, entre outros profissionais brilhantes. 

Foi um desafio deixar o conforto da nossa casa, da nossa língua e se lançar em um novo ambiente. Sempre desejei ter essa experiência nos Estados Unidos. Abracei essa oportunidade com entusiasmo e voltei muito feliz pelo que vivi por lá.

Uma coisa que vi e achei muito interessante é o Total Body Skin Exam - TBSE - que quer dizer Exame Total da Pele. A Dra Jennifer Choi orienta seus pacientes a agendar uma consulta exclusiva para esse exame. O paciente fica apenas de calcinha ou cueca, com um avental, e sua pele é examinada por ela da cabeça aos pés, incluindo a boca e região genital. As lesões suspeitas de câncer de pele são examinadas com a ajuda de uma lente de aumento, o dermatoscópio, e são retiradas no mesmo dia, quando possível, ou em outro momento. Quero instituir o dia do TBSE para meus pacientes! Numa só consulta às vezes é difícil fazer o TBSE e checar todas as outras (sete ou mais :) ) queixas da "listinha"... Então, vamos programar uma consulta só para isso! E a frequência do TBSE vai depender da história pessoal ou familiar de câncer de pele, podendo ser a cada 4 ou 6 meses, ou a cada ano.

Outra coisa que percebi é o quanto eles dão valor à pesquisa. Eles estudam muuuuuito! Aquele detalhe que no livro a gente nem dá importância, tem algum pesquisador de lá estudando. Semanalmente, eles tem encontros científicos sobre os diversos temas em pesquisa na área de Dermatologia. É impressionante! Temos muito a desenvolver no campo de pesquisa no nosso Brasil. 

Vi casos dermatológicos interessantes de pacientes internados e nos consultórios. Pude revisar temas da Dermatologia junto aos esforçados residentes. Tive contato com pacientes com reações cutâneas aos quimioterápicos, meu objeto de estudo, e fiquei surpresa! Como existem drogas novas nessa área! Algumas ainda em estudo, e outras que lá eles já estão usando, mas que no Brasil ainda não está disponível.

Voltei muito empolgada para por em prática o que aprendi lá e continuar minha pesquisa na Oncodermatologia.



Obrigada, Yale!



quinta-feira, 23 de maio de 2013

"Vou fazer quimioterapia. Quais os cuidados devo ter com a pele?"



Um turbilhão de coisas novas surge na nossa vida quando recebemos o diagnóstico de câncer. São mudanças em todos os aspectos - pessoal, emocional, profissional e no corpo. Não é uma fase fácil, mas a gente precisa encarar, e da melhor maneira possível! Venho nessa luta também!

Durante a quimioterapia, é preciso redobrar os cuidados com a pele, os cabelos, o couro cabeludo e as unhas.

Vamos a algumas orientações, da cabeça aos pés:

- Cabelos: há medicamentos que levam à queda (alopecia) completa dos cabelos e outros não. Quando os cabelos caem, é importante proteger o couro cabeludo, que fica exposto ao sol. Se você opta pela "carequinha", lembre-se de usar o protetor solar FPS 30 ou maior ao sair de casa. Chapéus, boinas, lenços e perucas ajudam na proteção solar, além de contribuirem para seu charme e estilo de se vestir (use e abuse de cada acessório e das cores!). As perucas podem ser de fios naturais ou sintéticos, a escolha depende de seu gosto e poder aquisitivo (as de cabelos naturais são uma delícia ao toque, mas bem mais caras!). Cuidado com o uso de adesivo no couro cabeludo para fixar a peruca, pois pode irritar a pele. Não gosto da idéia de manter a peruca colada, tomar banho ou entrar na piscina ou no mar com a peruca fixa no couro cabeludo e assim ficar por 15dias. A higiene adequada do couro cabeludo é importante.

- Sobrancelhas e cílios: quando caem durante o tratamento, pode-se usar maquiagem. Lápis para olhos e lápis ou sombra para sobrancelhas ajudam muito. Procure a orientação de um maquiador. Uma maquiagem simples dá uma boa levantada na auto-estima! O uso de cílios postiços é uma idéia, mas se deve ter cuidado com a frequência para evitar irritação nas pálpebras causadas pela cola.

- Rosto e corpo: hidrate-se! Beba muito líquido e passe creme hidratante no rosto e no corpo para evitar o ressecamento da pele, comum durante a quimioterapia. Use protetor solar com FPS 30 ou maior nas áreas expostas ao sol e se lembre de repassar ao longo do dia. Roupas também servem como proteção. Alguns medicamentos podem escurecer a pele ou deixá-la sensível ao sol. Durante a quimioterapia, a pele pode ficar mais sensível e não tolerar produtos que você sempre usou. Consulte o dermatologista se perceber maiores alterações na pele.

- Unhas: as cutículas não devem ser retiradas durante o tratamento e nem se deve compartilhar material de manicure/pedicure. As unhas podem ficar quebradiças ou sofrer alterações na cor. Use creme hidratante nas mãos e nos pés. Alguns quimioterápicos predispõem à inflamação ao redor das unhas e ao descolamento. Consulte o dermatologista se observar essas alterações. Evite sapatos apertados ou calçados inadequados ao fazer esporte. Quanto a pintar as unhas com esmalte, é interessante perguntar ao seu oncologista. Se possível, não fique com as unhas pintadas por muitos dias, pois isso pode mascarar alguma anormalidade e retardar o diagnóstico. Nessa fase, sua defesa está debilitada e não se pode dar
espaço para germes oportunistas.


Cuide da alimentação! É comum haver mudança no apetite e no paladar, mas tente seguir uma rotina alimentar orientada pelo nutricionista. Faz bem para a pele e para sua imunidade.

Cerque-se dos hábitos saudáveis que lhe dão prazer e desfrute do carinho dos amigos e da família. Faz muito bem para a pele e para sua imunidade!

Gosto de lembrar aquela música do Lenine: "Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma / Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma / Eu sei, a vida não para / A vida não para não... / ... A vida é tão rara / Tão rara..."

Sigamos em frente!