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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Melanoma ocular acomete fatalmente o cantor Roberto Leal



Um tema recente nas redes sociais foi o melanoma, câncer que infelizmente acometeu de forma fatal o cantor português Roberto Leal (que a família receba apoio e conforto nesse momento difícil!). Fiquei intrigada sobre o seu tipo de melanoma, o ocular.

O melanoma é um câncer originado nos melanócitos, células que dão cor à pele, aos cabelos e aos olhos. Em geral são "pintas" escuras "esquisitas", assimétricas, com bordas irregulares, com cores diferentes na mesma lesão, que podem surgir de repente ou modificar com o tempo (procurem o dermatologista sempre que perceberem algum destes sinais!). 

Dentre os cânceres de pele no Brasil, o melanoma corresponde a cerca de 3-4%. A depender da profundidade do melanoma na pele, pode haver a disseminação para o sistema linfático (gânglios) e outros órgãos do corpo, causando metástases. O diagnóstico precoce, que consegue identificar o melanoma num estágio mais superficial, pode curar o paciente! Por isso a importância de todos conhecerem esse assunto (já publiquei alguns posts aqui no blog sobre melanoma - deem uma olhadinha!!!).

Com o fato ocorrido com o cantor, senti a necessidade de buscar mais informações sobre o melanoma ocular. Entre os tipos de melanoma, o ocular corresponde a 5% dos casos e é o tumor ocular mais comum. Não se sabe a causa precisa do melanoma ocular, mas há alteração genética nas células melanocíticas, que se proliferam de forma maligna. Pode atingir diferentes partes do olho, como vocês podem ver na figura abaixo:



O melanoma ocular pode não causar sinais ou sintomas, mas fique atento para consultar o oftalmologista se apresentar sensação de flashes ou areia nos olhos, manchas escurecidas na íris (área que dá cor aos olhos), mudança no formato da pupila (que é a área circular "preta" no centro da íris, que se contrai ou dilata), visão ruim ou borrada, ou perda do campo de visão.

E quem está mais sujeito a ter melanoma ocular? É semelhante ao risco do melanoma na pele: pessoas de pele clara, olhos claros, com síndrome de nevos displásicos (múltiplas "pintas" com formatos irregulares) e maior exposição à radiação ultravioleta (UV) natural ou de câmaras de bronzeamento artifical (proibidas no Brasil!!!). Fatores genéticos hereditários podem deixar a pessoa mais suscetível ao melanoma. Alterações na pigmentação da região ocular ou uma condição chamada melanocitose uveal aumentam as chances de melanoma ocular. 

O tratamento do melanoma ocular vai depender do seu tamanho e da localização, e presença de metástases. Uma equipe multidisciplinar vai dar o suporte adequado. 

Assim, além dos cuidados de rotina com as "pintas" e manchas escuras na pele (incluindo couro cabeludo, unhas, boca, região genital), que sempre reforço, fiquem atentos ao que comentamos aqui, sobre as manchas e as alterações oculares! Uma avaliação oftalmológica anual vale como um checkup geral da saúde dos olhos. Procure o oftalmologista sempre que sentir algo diferente na visão. 

Outra lembrança importante, usar óculos com proteção UV! Acessório importante na exposição solar, além dos já recomendados protetor solar e chapéus.

Abraços,
Giselle Barros

https://www.cancer.ca/en/cancer-information/cancer-type/eye/eye-cancer/cancerous-tumours/?region=on

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Aplicativo que ajuda no acompanhamento das "pintas"


Gente, olha como a tecnologia pode ajudar nos cuidados com a pele!

Existe um aplicativo chamado SkinKeeper, que ajuda no acompanhamento das "pintas" (nevos).

Baixei para conhecer seu funcionamento. Está em inglês e me custou U$1,00. É de fácil utilização! Dá para marcar a pinta, fotografá-la, descrever suas características (cor, diâmetro, se é dura, se sangra etc). A gente consegue agendar, inclusive, um lembrete para reavaliação da pinta após alguns meses (o que é muito bom, porque as "pintas" precisam de acompanhamento e não podemos esquecer isso!). É possível também enviar por email, caso queira tirar alguma dúvida com o dermatologista.

De forma alguma esse aplicativo substitui a avalição médica! O dermatologista deve ser sempre consultado para a garantia de que aquela "pinta" não tem sinais malignos. Usamos o dermatoscópio (uma lente de aumento que expliquei em um post anterior) para identicar as estruturas das "pintas". Isso não é feito pela câmera do celular ou do tablet!

Achei interessante esse modo de acompanhar os nevos, junto com o dermatologista! ;)


sábado, 28 de setembro de 2013

Já avaliou suas pintas com dermatoscópio nesse ano?




Vocês conhecem esse aparelho? É o dermatoscópio. Existem diferentes tipos, mas escolhi esse modelo para meu trabalho.

O dermatoscópio é uma lente de aumento especial que o dermatologista utiliza no exame das lesões de pele. Serve tanto para avaliação de lesões benignas como malignas. É uma ferramenta que uso muito. É meu terceiro olho!

Vejam o bichinho ali à direita!

Lembro um caso em que um paciente tinha feito uma
trilha na fazenda e voltou com algumas lesões vermelhas
no corpo, que coçavam muito. O dermatoscópio me
ajudou a identificar carrapatos minúsculos na pele
desse paciente. Tratava-se de uma infestação por
carrapatos (tomem cuidado nas trilhas pela mata,
especialmente em locais perto de pastos!). 

Lesão escura na pele de um paciente
A dermatoscopia é fundamental na avaliação das pintas escuras. Existem critérios que o dermatologista interpreta ao visualizar as pintas que podem indicar a necessidade de retirá-las através de cirurgia, especialmente quando se suspeita de lesão maligna, como o melanoma.




Imagem da lesão por dermatoscopia- suspeita de melanoma

A imagem gerada pelo dermatoscópio pode ser fotogravada e comparada em uma consulta posterior para verificar se houve mudança na pinta. Modificações na pinta podem significar sua transformação em câncer.
Procure fazer uma consulta de rotina com o dermatologista para que ele avalie suas pintas com o dermatoscópio. É um exame indolor, rápido (vai depender do número de pintas que você tenha!) e importante para diagnosticar alterações suspeitas de câncer de pele.

Um abraço 
Giselle Barros
Dermatologista com residência Na UNICAMP
CRM126424/ RQE33797
Atua na Clínica Dr David Uip - tel 3087-8144
email: ggiselles@gmail.com


terça-feira, 5 de outubro de 2010

O ABCD do melanoma


O melanoma é o câncer de pele mais temido por ser o mais grave, pois dá metástases precocemente. Em geral, é uma lesão enegrecida na pele, que pode ter surgido ou não a partir de uma "pinta". O auto-exame periódico das "pintas" é fundamental. Existe uma regra que todos os que tem "pintas" devem seguir, chamada de o "ABCD do melanoma". Observe a Assimetria da "pinta", se ela tem uma metade diferente da outra. A Borda da lesão, se tem o contorno irregular. Examine a Cor, se tem cores diferentes na mesma lesão. E o Diâmetro da lesão, se é maior do que 6 milímetros. Essas alterações, quando presentes precisam ser avaliadas pelo dermatologista, que tomará a conduta mais adequada para o caso. Se você quer saber um pouco mais sobre o melanoma, vale a pena visitar o site do Grupo Brasileiro de Melanoma - www.gbm.org.br.

Você já fez o "check-up" da sua pele?


Todo ano vem a lembrança do "check-up". Queremos saber se há alguma alteração nos exames de rotina, se o colesterol está bom, se o "açúcar" está dentro da normalidade, enfim. De fato esses cuidados são importantes, especialmente quando se tem história familiar de diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia ou câncer. Agora venho lembrá-los do "check-up" da pele. É importante uma visita periódica ao dermatologista, especialmente para acompanhar as famosas "pintas". Essas lesões são chamadas na linguagem médica de "nevos melanocíticos". São lesões cutâneas escurecidas que merecem cuidados, especialmente naqueles pacientes que tem muitas "pintas". Isso porque existe um risco de algumas pintas se transformarem em um câncer de pele chamado melanoma. O melanoma é o câncer de pele que mais preocupa, devido a sua capacidade de desenvolver metástases e de ter tratamento difícil quando diagnosticado tardiamente. Na maior parte dos casos o melanoma surge como uma "pinta" nova, com características diferentes das demais. Em alguns casos, surge de uma "pinta" antiga que mudou a aparência. Pacientes com pele clara, exposição solar, múltiplas "pintas" e história familiar de melanoma precisam passar pelo "check-up" da pele periodicamente.