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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Repelentes de insetos - qual a diferença e qual escolher



Uma preocupação comum no consultório são as picadas de mosquitos, que aumentam nos períodos mais quentes e chuvosos, e que podem transmitir doenças - dengue, zika, chicungunya, zika, febre amarela, malária, leishmaniose etc, causar lesões na pele que coçam ou alergias.

Então, vamos a algumas dicas de prevenção a picadas de mosquitos para adultos e crianças:

- Procure usar meias e roupas compridas, largas e claras ao fazer trilhas ou frequentar ambientes com insetos.

- Evite perfumes. 
Use sabonetes, desodorantes e cremes neutros. Fragrâncias florais podem atrair insetos.

- Existem vários repelentes disponíveis no Brasil, e os que apresentam maior ação repelente são os que contêm o DEET ou a Icaridina. 

- Aplique o repelente de insetos nas áreas expostas, e não embaixo da roupa. O repelente evapora e forma uma nuvem sobre a pele de 4 cm, necessária para sua eficácia. Por isso que passar na pele e cobrir com a roupa não faz sentido. 

- Quanto mais quente e úmido, como na praia, maior a chance de picadas. Nessa situação, repasse o repelente com mais frequência, mas de acordo com o limite recomendado pelo fabricante, o princípio ativo e a idade. No caso de repelentes com DEET, opte pelo de maior concentração, pois tem maior durabilidade, e evite mais do que 3 aplicações ao dia. Repelentes com Icaridina podem ser reaplicados a cada 5-10 horas. 

- Para crianças, é preciso estar atento ao tipo de repelente. Segundo a Environmental Protection Agency (EPA), são recomendados os seguintes para as crianças: N-dietilo-3,metilo benzamida (DEET); Icaridina (chamada também de picaridina ou KBR3023); Ethylbutylacetylaminopropionate (EBAAP ou IR3535). 

- Para aplicar na criança, o melhor é o adulto por uma quantidade do produto nas mãos e depois passar na pele exposta da criança, evitando área dos olhos, mucosas do nariz e da boca. Veja aqui as orientações para cada faixa etária:

    # menores de 2 meses - não devem usar repelentes tópicos; usar medidas físicas (roupas, mosquiteiros)
    # 3 meses a 1 ano - avaliar risco x benefício, porque são poucos os estudos da segurança dos repelentes nessa idade; usar apenas uma vez ao dia 
    # 1 a 12 anos - reaplicar o repelente até duas vezes ao dia 

- Outros componentes de repelentes não devem ser usados em crianças menores de 3 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria: óleo de lemon eucalipto (p-menthane-3,8-diol); versão sintética dos óleos de limão e eucalipto (para-mentano-diol); versão sintética extraída do óleo da arruda ou do tomate selvagem (methyl nonyl ketone 2-undecanone) 

- Repelentes à base de óleo de citronela e andiroba possuem tempo de ação muito curto, menos de 1 hora de proteção

- Gestantes podem usar com segurança repelentes com DEET, icaridina ou IR3535 (este dura menos)

- Certos tipos de repelentes podem ser aplicados nas roupas, nos mosquiteiros e nas telas de proteção. Alguns mosquiteiros vêm com inseticidas na malha (permetrina ou deltametrina); esses produtos também podem ser aplicados nas roupas, com ação interessante para carrapatos

- O protetor solar deve ser aplicado antes do repelente (20 minutos). O DEET pode diminuir o efeito do protetor solar. Fiquem atentos! Após molhar a pele ou muita transpiração, reaplique o repelente

- Tomar vitamina do complexo B e cápsulas de alho não tem efeito comprovado na prevenção de picadas. Repelentes ultrassônicos e pulseiras com DEET são pouco eficazes.

- Algumas opções de repelentes, faixa etária indicada, princípio ativo e duração da ação (dados dos sites dos fabricantes):

Loção antimosquito Johnson´s baby > 6 meses; IR3535; até 4 horas

Exposis bebê  > 3meses; icaridina 10%; até 6h de proteção
Exposis infantil  > 6 meses; icaridina 20%; até 10h de proteção
Exposis adulto > 12 anos; icaridina 25%; até 10h de proteção

Off Baby > 3 meses; icaridina 10%; até 6h de proteção

Off kids loção > 2 anos; DEET 7,10%; até 4h de proteção

Off family  spray > 2 anos; DEET 6,65%; até 4h de proteção
Off family loção > 2 anos; DEET 7,79%; até 4h de proteção
Off family aerossol > 12 anos; DEET 15%; até 6h de proteção

Off longa duração spray > 12 anos; DEET 25%; até 10h de proteção
Off longa duração loção > 12 anos; DEET 25%; até 10h de proteção
Off longa duração aerossol > 12 anos; DEET 25%; até 10h de proteção

Assim, fica interessante, para bebês > 3 meses o Exposis bebê ou Off Baby (embora prefira indicar o uso de repelentes em situações extremas); para crianças, o Exposis infantil; e para crianças maiores de 12 anos e adultos, Exposis adulto ou Off longa duração

Após esses cuidados, curtam esse período gostoso, livres das picadas! E usem o protetor solar com frequência!

Giselle Barros 
CRM 126424


Fonte:
  • Stefani Germana Pimentel, Pastorino Antonio Carlos, Castro Ana Paula B. M., Fomin Angela Bueno F., Jacob Cristina Miuki A.. Repelentes de insetos: recomendações para uso em crianças. Rev. paul. pediatr.  [serial on the Internet]. 2009  Mar [cited  2013  Dec  02] ;  27( 1 ): 81-89. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-05822009000100013&lng=en.  http://dx.doi.org/10.1590/S0103-05822009000100013
  • https://aps.bvs.br/aps/quais-repelentes-podem-ser-utilizados-por-gestantes-e-qual-o-modo-de-uso/
  • https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/dc-de-dermatologia-publica-documento-sobre-repelentes-e-medidas-protetoras-contra-insetos/




quarta-feira, 24 de abril de 2013

Aviso aos viajantes: alguns insetos em hotéis podem causar bolinhas vermelhas na pele!




Viajar é maravilhoso! Mas às vezes não trazemos apenas boas recordações dos lugares onde passamos... E uma coisa chata que pode acontecer é o surgimento de lesões inchadas e vermelhas na pele, com coceira, após ter sido picado por "bed bugs" - percevejos de cama.

Esses percevejos ficam escondidos em frestas de paredes, colchão, móveis de madeira e rodapés, entre outros lugares, e saem preferencialmente à noite para se alimentar de sangue humano. Se aproveitam de áreas expostas na pele e ali injetam sua parte bucal em busca dos capilares sanguíneos, sem causar desconforto. Sua saliva pode causar alergia na pele e o desenvolvimento de bolinhas vermelhas com coceira, que podem estar próximas umas às outras formando um cordão, por onde o bichinho passou e se alimentou.

Mas as picadas desses percevejos transmitem doença? Não está comprovado cientificamente ainda. Existem estudos que mostram que esses insetos podem abrigar alguns vírus, bactérias e protozoários. O vírus da Hepatite B pode persistir por semanas nesses percevejos, que seriam considerados fontes de transmissão em potencial.

Dá uma aflição pensar nessas picadas, né? Mas já atendi alguns pacientes com lesões sugestivas desses percevejos, Cimex lectularius, que haviam viajado aos Estados Unidos. Quando fui à Nova Iorque há 1 ano, tal era o meu receio de sofrer essas picadas. Ao consultar opinões acerca de hotéis para hospedagem no site "Trip Advisor", verifiquei que alguns usuários compartilharam essas picadas por bed bugs após terem ficado em determinados hotéis.

O aumento da infestação urbana por esses percejevos nos EUA nas últimas décadas tem motivado medidas de controle da infestação, bem como na Europa e na Austrália. E os bichinhos não existem apenas "no estrangeiro" não! No Brasil, também existem percevejos de cama e devemos ficar atentos a eles nas nossas casas, nos estabelecimentos comerciais e nos hotéis.

Enquanto isso, fica a dica para avaliar o local onde você ficará hospedado (os relatos de outras pessoas ajudam!) e consultar um dermatologista caso se notem lesões na pele após a viagem.

Fonte:
- Os Cimicídeos e sua importância em Saúde Pública. Rev. Saúde Pública vol.24 suppl.0 São Paulo 1990
- Cimex lectularius. Dermatology Online Journal 5(1):6
- http://en.wikipedia.org/wiki/Bed_bug
- http://www.cdc.gov/nceh/ehs/Publications/Bed_Bugs_CDC-EPA_Statement.htm

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Doenças de pele comuns no verão


Estamos no verão, o período mais quente do ano. Algumas doenças da pele são mais comuns nessa estação. Vale a pena lembrar algumas delas e tomar os devidos cuidados:

Queimadura solar - para aqueles que abusam da exposição solar sem proteção adequada na praia, na piscina ou na prática de esportes ao ar livre, esse é um problema comum. A pele fica muito vermelha, sensível ao toque e às vezes com bolhas. Recomendações: usar protetor solar de FPS 30 ou mais e com proteção UVA, lembrando-se de repassar o protetor a cada duas horas e ao sair da água ou após ter transpirado muito, permanecer em locais cobertos, usar chapéus de aba larga e roupas adequadas. Preferir os horários de menor incidência de radiação ultravioleta (até as 10h da manhã e a partir da 16h) e beber bastante líquido. Se ocorreu a queimadura, deve-se reforçar a hidratação da pele. Os casos mais intensos e desconfortáveis devem ser avaliados pelo Dermatologista.

Intertrigo - lesões avermelhadas que aparecem nas áreas de dobras (abaixo das mamas, virilhas, axilas, abdome), nos locais de fricção da pele, especialmente nos dias quentes e úmidos. Pode ter sobreposição de infecção por fungos, como a candida. Recomendações: manter essas regiões da pele secas e arejadas, usar roupas de algodão, frouxas, e talcos antitranspirantes.

Candidíase - aparece bastante no verão. A forma cutânea é frequente nas mulheres, gestantes, diabéticos e obesos, especialmente nas dobras de pele abaixo das mamas, abdome, virilhas. As mulheres também sofrem mais com a candidíase vaginal (corrimento esbranquiçado com prurido e vermelhidão na região genital). Recomendações: semelhantes àquelas para o intertrigo. Procure o médico para tratamento.

Outras micoses - terrenos contaminados por fungos, como a areia da praia, pisos e banheiros de clubes, são fontes comuns das micoses do verão. Aparecem lesões nas plantas dos pés, entre os dedos, nas virilhas, nas unhas, entre outros locais. A coceira pose acompanhar o quadro. O desenvolvimento dessa alteração na pele é facilitado pelo calor e alta umidade. Recomendações: evitar andar descalço em locais públicos. Sapatos fechados devem ser alternados no dia a dia e deixados ao ar livre e ao sol. Usar meias de algodão e talcos antitranspirantes, roupas arejadas. Não compartilhar calçados, roupas, toalhas, materiais de manicure. Não levar animais domésticos para a praia. Procurar tratamento médico.

Melasma - manchas acastanhadas na face, especialmente nas bochechas, testa e buço que podem surgir ou piorar após a exposição solar. Recomendação: O ideal para as pessoas com tendência ao melasma é evitar "pegar sol". Mesmo o sol do dia a dia, sem proteção, pode acentuar essas manchas.

Ressecamento da pele pela piscina - as crianças são as que mais sofrem com isso. Ficam com a pele ressecada e com coceira. Recomendação: redobrar a hidratação da pele com cremes após o uso da piscina.

Brotoejas (miliária) - também mais comuns nas crianças no verão, essas lesões são, em geral, bolinhas vermelhas que aparecem no pescoço, tronco e axilas. Recomendações: as crianças devem usar roupas leves, de algodão, arejadas e tomar banhos durante o dia para refrescar. O uso de maisena ajuda a melhorar.

Picadas de insetos - com o aumento da temperatura, os mosquitos aumentam em número e as picadas aparecem e coçam. Recomendações: existem cremes prescritos pelo dermatologista para alívio das lesões. O uso de relentes ajuda, mas em alguns casos eles podem causar alergia. Existem marcas ideais para maiores de 6 meses e outras recomendadas para maiores de 2 anos.

Essas informações são meramente educativas. Toda lesão na pele deve ser avaliada pelo médico para ser tratada adequadamente. Evite o uso de medicamentos sem a prescrição de um médico.

E aproveitem bem o verão!