segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Afinal, tomar ou não tomar sol?



Olá, meus queridos!

Desculpem a ausência nos últimos meses... Trabalho e vida pessoal acabaram consumindo minha energia para publicações no blog e ficamos esse tempo em "repouso". Mas hoje a inspiração bateu com um tema bem comum e quis trazer uma reflexão para vocês.

Estamos no verão e sempre escuto a pergunta: "Dra, posso tomar um solzinho?". Muitos dermatologistas dirão por aí "Nãaaaaao!!! De jeito nenhum!!!". Mas prefiro devolver a resposta com outras perguntas:

1. "Você se preocupa com o câncer de pele e deseja preveni-lo?";
2. "Você se incomodaria se a sua pele ganhasse um aspecto mais envelhecido precocemente?";
3. "Você apresenta maior risco para câncer de pele ou doenças de pele agravadas pelo sol?";
4. "Você está preocupado com a vitamina D?";

O Sol na verdade é um grande amigo! Sem ele, certamente não estaríamos aqui. E a nossa evolução como seres humanos mostra que fomos feito para o dia, diferentemente dos morcegos, por exemplo.

Dias ensolarados nos deixam mais felizes e animados... um verdadeiro antidepressivo natural! Porém, a observação de certas doenças da pele e sua relação com a exposição à radiação solar nos fez descobrir que precisamos de uma convivência mais harmoniosa com ele. A palavra é "moderação".

Assim, antes de você desejar se expor ao Sol, responda às perguntas seguintes:

1. "Você se preocupa com o câncer de pele e deseja preveni-lo?"
SIM - então evite exposição solar frequente e contínua sem proteção, especialmente entre 10-16h (maior radiação UVB); aplique e reaplique protetor solar FPS 30; evite exposições ocasionais e intensas (com queimaduras) ao sol. É sabido que cânceres de pele como carcinoma basocelular, espinocelular e melanoma têm maior risco entre aqueles que tem histórico de exposição solar, contínua ou não.

NÃO - ok. Então o risco está sob sua responsabilidade! Pode ser que você passe a vida se queimando e bronzeando e não desenvolva câncer de pele. Vai depender de outras condições individuais, genética, história familiar... mas a maior probabilidade é que um dia apareça uma lesão suspeita e pode lhe custar caro (às vezes a vida, como em certos casos de melanoma). Vale refletir um pouco e ler as questões seguintes.

2. "Você se incomodaria se a sua pele ganhasse um aspecto mais envelhecido precocemente?"; Nessa foto ao lado você consegue ver à esquerda da face os danos de exposição solar crônica (por 28 anos) em um caminhoneiro.
SIM - então melhor usar protetor solar com proteção aos raios UVB e UVA (este está bastante envolvido no processo de envelhecimento, atinge camadas mais profundas da pele, interfere no colágeno e está presente ao longo de todo o dia); evite exposição solar frequente; use filmes de proteção UVA/UVB em vidros e janelas.

NÃO - ok. Então a exposição solar é uma escolha sua, mais do que de qualquer dermatologista. Você pode desejar tomar sol por não se importar em ter mais ruguinhas no futuro, porém lembre que o câncer de pele pode vir de brinde.

3. "Você apresenta maior risco para câncer de pele (pele, cabelos e olhos claros; história pessoal ou familiar de câncer de pele; múltiplas 'pintas') ou doenças de pele agravadas pelo sol (p.ex. lupus eritematoso; alergia desencadeada pelo sol)?"; 
SIM - então evite a exposição solar, evite se queimar ao sol e use protetor solar FPS 30 ou maior (repasse sempre!); use roupas com proteção solar, chapéu de aba larga e óculos escuros; portadores de doenças agravadas pelo sol, cuidado redobrado!

NÃO - considere as questões anteriores e escolha se expor em horários de menor radiação (antes das 10h e depois das 16h), com proteção solar FPS 30 (repasse sempre) e não se prolongue por muito tempo.

4. "Você quer tomar sol porque está preocupado com a vitamina D?";
SIM - em geral, 15 minutos de exposição solar nos braços e pernas, diariamente, entre 10-15h, sem protetor solar são suficientes para produzir vitamina D. Porém, esse horário é o de maior risco para câncer de pele! Assim, quem tem os fatores de risco pra câncer de pele que comentamos acima, doenças agravadas pelo sol e outras condições em que a pele não produz bem a vitamina D (p.ex. bebês, idosos) o ideal é tomar a vitamina D, na dose prescrita pelo médico.

NÃO - ok. Espero que tenha aprendido um pouco com as questões acima.

Grande abraço e até o próximo post!
Giselle Barros








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